Code Of Death
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Home Archive for 2017
Contamos as horas para chegar em casa.
A hora da novela.
Contamos o tempo que levamos do trabalho até em casa.
A hora que tem que estudar.
Contatos cada segundo do dia, cada obrigação.
Mas esquecemos de contar o que sentimos.
Eu conto as estrelas.
Já, Maria, conta seus amores esquecidos.
Eu conto cada conto.
Já, Tereza, conta cada decepção.
Eu conto os segundos para te ver.
Já, Marta, conta os dias para desaparecer.
A vida é assim, uma montanha russa sem fim.
Cada decepção uma superação, cada sonho uma realização, cada fim um novo começo.
A chuva caía.
O céu estava cinza.
A neblina vinha.
E eu ali, esperando ele passar.
O frio crescia.
A rua ficava vazia.
E eu ali, esperando vê-lo para a noite melhorar.
As pessoas me encaravam. Quem imaginaria que uma moradora de rua se apaixonaria.
Eu sempre observava.
Ele voltava da faculdade às 23h, ia trabalhar às 9h, sei dos horários porque sempre estava ali.
Já estava acordada faz tempo procurando abrigo enquanto ele corria para pegar o ônibus todas as manhãs.
Não sabia o seu nome, sua idade ou sequer seu telefone.
Sabia que ele era aquilo que eu sempre sonhei.
Quando ele aparecia, meu coração disparava, minhas mãos tremiam.
Mas ele não sabia que eu existia.
Enquanto ele estudava, trabalhava.
Eu juntava minhas latas, com alguns trocados comprava comida, na maioria das vezes nem isso tinha.
Essa era minha vida.
Talvez eu o amava desejando a vida que ele tinha, trabalhar e estudar era tudo que eu queria.
Vi ele crescer ali da rua, enquanto ele jamais olhou para os lados para saber quem estava nas ruas.
Jamais me ajudou com um prato de comida, mas não posso cobrar isso dele e nem de ninguém, ele estava ocupado demais para olhar para os lados, parar e observar que eu estava ali e que meu coração era dele, se ele quisesse.
Mas não queria.
Sonho meu imaginar tal coisa, como uma moradora de rua ficaria com alguém assim?
Até que fim ele aprendeu a dirigir, teve seu carro, saia mais, estudava menos.
Sempre ignorava quem estava na rua.
Meu coração despedaçou em um dia chuvoso. Estava frio, eu sem coberta, sem casa, sem blusa, sem comida.
E ele estava vindo com o seu carro, foi de propósito tenho certeza disso. Ele passou em uma poça de água e molhou nós, moradores de rua e saiu rindo.
Achei que ele era o amor da minha vida, mas ele mudou tanto que já não o reconhecia.
Depois daquele banho de água suja peguei pneumonia e assim fui morrendo aos poucos sozinha.
Porque sabe... Morador de rua não tem hospital, muito menos família, nem casa e nem comida.
Até que me acharam na rua já toda gelada e sem vida.
Quem diria que a pessoa que mais amava e admirava me mataria.

O dia cinzento, a chuva caindo e nos deixando de lado a vontade de viver, sendo dominados pela preguiça, pela falta de coragem. Desejando que todos os dias fossem assim... Nublado e frio, uma caneca de café quente, um pijama e as famosas pantufas, para se deliciar no frio. Aproveitando cada gota de chuva, assistindo, lendo, dormindo de baixo dos edredons, vendo a chuva cair pela janela do seu quarto, esperando aquela paz acabar. Desejando a pessoa que você tanto gosta estivesse ali, com você, vendo a chuva cair, sentindo o calor que há entre vocês dois, assistindo a uma serie, anime, um filme. Compartilhando o que mais gosta com quem mais ama. Esperando a segunda feira começar, a rotina voltar, mas tentando ao máximo aproveitar o domingo chuvoso, o dia cinza, a tarde fria com seu kit: pijama, ursinho de pelúcia, edredom e não pode faltar aquela pessoa que tanto ama. Tudo que queríamos, mas tudo que muitos não têm e não estou falando só do amor. Falo da cama quente para dias frios, do teto para dias chuvosos, do ursinho de pelúcias para dias medonhos. A vida é injusta, eu sei, enquanto uns querem amor, riqueza, outros só querem uma cama, um teto ou um edredom.
Na noite gelada, com o céu estrelado, a chuva pingava e não parava.
E ali, com suas galochas verdes, pulava em cada poça, congelando, mas se divertindo, o sonho de qualquer criança...
Não tinha como a noite melhorar, a chuva com sua leveza, seu suave toque em seu rosto, gelava seu corpo todo. Mas quem disse que ela ligava? Era encantador, tudo mágico. 

Para uma criança tudo não passa de magia, enquanto ela ali brincava, sua mãe a observava, de longe pela janela vendo a alegria estampada, vendo o mundo colorindo-se por causa daquele sorriso, era fácil dizer que era o mais bonito. Não tinha como negar, muito menos interromper tal felicidade. 

Nunca tinha visto alguém feliz, por poder se jogar, se molhar, se deliciar na chuva.
Coisa magica não? Enquanto muitos reclamam por estar molhando-se a caminho de casa, ela divertia-se. 
Um breve momento parou de pular, parou de sorrir para observar uma moça triste, caminhando cabisbaixa, parecia que a qualquer momento suas lágrimas salgadas cairiam e se misturariam com a chuva. 

Com aperto no coração por ver alguém tão triste a pequena garota com suas galochas verdes foi até a moça, sorriu e perguntou o porque ela não estava se divertindo, sendo que a chuva foi feita para brincar, sorrir e se alegrar. 
A moça sem saber como explicar, tinha acabado de perder a filha há dois dias , não conseguia falar, não conseguiu esclarecer, sentou-se no chão e desabou em lágrimas, a vida para ela não fazia sentido sem sua filha, seu mundo acabou, a cor ofuscou e infelizmente seu coração gelou. 

Ela estava ali, sem família, sem sentido para vida, caminhando em direção a morte. Ao ser interrompida por uma guria de galochas verdes, ela parou. A garotinha logo deu motivo para ela sorrir, chamou-a para brincar, pular na poça de água e cantar sem parar.

Não foi um milagre, nada mudou, a filha da moça tinha ido e a vontade dela de se juntar a filha não passou, mas por um momento, por um breve momento aquela moça cuja a felicidade foi perdida pode sorrir novamente, sentiu seu coração pulsar, viu a chuva como a garota via, sabendo que já havia morrido por dentro junto com sua filha, mas alguém pôde revive-la, por frações de segundos.
Ela sentiu como se a filha dela estivesse ali, brincando, cantando e sorrindo. Era a risada mais gostosa que já tinha ouvido, era o sorriso de esperança daquela moça que lhe fez acreditar. Morreu com alegria.
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